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Desenvolvimento Psicossocial e o filme Duas Vidas

Duas Vidas é uma comédia produzida pela Disney que estreou nos EUA em 2000, sendo dirigido por Jon Turteltaub. O filme aborda temas profundos como a construção da imagem auto-idealizada e traumas de infância. O protagonista (Bruce Willis) é um executivo bem sucedido que esconde questões da infância onde estas influenciam sua carreira e forma de vida.

No campo da ciência podemos destacar as teorias do psicanalista Erik Homburger Erikson, nascido em Frankfurt, Alemanha, em 1902 e falecido em 1994. Suas afirmações podem ser encontradas em diversas obras, entre elas estão:

Identidade, Juventude e Crise. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1976.
Infância e Sociedade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Zahar editores, 1987.
O ciclo da vida completo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

O termo Psicanálise foi criado por Sigmund Freud (1856-1939) para se referir a uma teoria e técnica de investigação do inconsciente, a Psicanálise é método terapêutico que se constitui de importantes descobertas sobre o comportamento humano e seu desenvolvimento.

Sigmund Freud revolucionou a ciência do comportamento quando demonstrou que nossas ações ocorrem sob forte influência de um conjunto de valores e representações que não são percebidas pelo individuo. É através da influência destes valores ocultos que as pessoas moldam a percepção do mundo exterior e também a forma como irão se enxergar diante do espelho, formando assim sua identidade.

Em entrevista, Jon Turteltaub salienta estar convencido de que fez um filme muito pessoal sobre o questionamento de todo quarentão que ao olhar no espelho se pergunta "Onde foi que errei, para me tornar assim?”.

Este questionamento surge quando através de um sentimento incomodo, percebemos que fomos conduzidos silenciosamente por caminhos jamais pensados e muitas vezes contrários aos nossos desejos e aspirações.

A trama inicia quando certa noite Russ Duritz (Bruce Willis), um adulto em meia idade muito rabugento é surpreendido com a presença de um menino de oito anos em sua casa, revelando ser o próprio adulto quando criança. A partir daí, o Russ adulto confrontando-se com o Russ criança, inicia uma jornada interior para descobrir quando começou a ser a pessoa irritante que é hoje, questionando assim a formação de sua identidade.

O diretor Jon Turteltaub em conjunto com o elenco do filme, consegue representar em um clima leve e bem humorado, as afirmações encontradas no campo da psicanálise relacionadas com as fases do desenvolvimento Psicossocial .

Tendo como tema central o conflito entre desejo de uma vida melhor e as realizações influenciadas pelos traumas originários na infância e adolescência, o personagem Russ Duritz (Bruce Willis) possui um complexo de inferioridade que é ocultado através de seu comportamento arrogante e autoritário onde, demonstra descaso pelas pessoas de seu ciclo social.

Em véspera de completar quarenta anos ele se faz ainda que inconsciente a pergunta inevitável, "Onde foi que errei, para me tornar assim?”.

Despertando sua criança interior, o personagem Russ inicia uma resiliência até seus aproximados oito anos, ocasião em que descobre um trauma relacionado com a postura rígida do pai e problemas na escola.
Para Erikson a personalidade se desenvolve no decorrer de oito etapas distintas que ocasionam conflitos no individuo, cada etapa sofre as conseqüências da maneira como a pessoa resolveu a questão anterior. Esta sucessão de conflitos e suas respectivas soluções vão gerar uma identidade que dependendo do seu histórico vivenciado determinará o comportamento da pessoa.

No caso do filme, o trauma ocorre na fase denominada por Erikson de Latência, ocasião em que a criança já está na escola e desenvolve um sentido de indústria, necessidade de adaptar-se as tarefas em conjunto com outras pessoas (conceito de divisão de trabalho).

Nesta fase a criança pode desenvolver um sentimento de inferioridade se não estiver preparada para enfrentar a escola ou ainda se não tiver solucionado adequadamente as fases anteriores do desenvolvimento Psicossocial.

Para Russ, o ponto alto do trauma fica evidente quando ele aos oito anos, após um problema na escola, recebe dura crítica de seu pai que o acusa de estar prejudicando (matando) a mãe com seu comportamento ineficiente. Russ é uma criança que se sente inferiorizada e culpada pelas questões familiares e agrava seu complexo após o incidente com seu pai.

Erikson alerta que um dos motivos para o surgimento do sentimento de inferioridade na fase de latência está na cobrança excessiva dos pais e/ou escola e na imposição de tarefas onde a criança é pressionada e sofre com a possibilidade de não conseguir atingir a meta estipulada. No filme este alerta é demonstrado através da falta de atenção dada pela escola e também na postura equivocada (rígida/excessiva) do pai frente ao comportamento da criança.

Embora o fenômeno da crise de identidade tenha sido tratado de maneira leve e bem humorada, na vida real ele ocorre na maioria das pessoas, devendo ser observado com atenção. O compromisso de educadores e pais na formação da criança precisa ser debatido em maior escala pela sociedade, com objetivo de minimizar os problemas oriundos da formação de uma identidade problemática.

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