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Dificuldade de aprendizado, sintoma de um bloqueio social?

Antes de iniciar qualquer comentário sobre este assunto gostaria de esclarecer que as linhas abaixo possuem o intuito de compartilhar com os colegas uma lógica de pensamento entre tantas outras existentes.


Resumidamente podemos dividir o problema de aprendizagem em acontecimentos físicos (doenças), psicológicos (traumas) e sociais.

Popularmente existe uma certa confusão entre questões psicológicas e sociais, já que ambas são relacionadas ao comportamento humano.

A Psicologia estuda o comportamento humano e seus processos mentais enquanto que a Sociologia estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam o indivíduo.

Um exemplo de problema social é o estresse. Uma pessoa pode agredir outra em uma explosão de raiva e a motivação ter origem na pressão social e não devido a um problema de ordem psicológica.

Uma pessoa socialmente ativa normalmente possui determinados bloqueios de aprendizagem como consequencia da imposição de pensamentos pré-concebidos.

Para entender as questões sociais e os problemas provenientes desta relação é importante conseguir diferenciar modelo social e prática social.

O modelo social é um conjunto de regras individuais ou institucionais que conduzem o pensamento.

Podemos definir pratica social como a reação que possuímos diante dos diversos modelos sociais existentes.

Para expressar melhor o que tendo explicar no parágrafo acima, vou usar um modelo bastante criticado.

A religião católica proíbe o uso de métodos que evitam a ocorrência de gestações e isso pode parecer muito irracional se não tivermos a compreensão da lógica aplicada neste modelo em particular.

Uma interpretação possível é que a lógica neste caso possui uma conotação binária de eventos, não existe meio termo ou é certo ou é errado.

Toda a fundamentação católica se baseia na construção da família. Observe que para se construir família é preciso existir amor, dedicação aos filhos, educação, estabilidade emocional entre os cônjuges, proteção do ambiente familiar e para prover tudo isso, poder aquisitivo.

Usando um modelo lógico inflexível é possível demonstrar que duas pessoas podem morar juntas e gerar filhos, mas isso não significa que ocorreu a constituição de uma família.

Basta faltar algum dos requisitos da definição de família para que não seja reconhecida a união como constituição familiar.

Este mesmo motivo pode ser usado como argumento que proíbe aceitação de casamento entre indivíduos do mesmo sexo. O modelo de família em algumas religiões, determina que a constituição familiar exige o direito a procriação.

Não podemos esquecer que a lógica aplicada é baseada em certo ou errado, sem meio termo. Ou é certo ou é errado. Esta lógica é de caráter determinista.

A polemica surge quando avaliamos a lógica de um determinado modelo usando uma lógica diferente como a lógica por aproximação de resultados.

Na lógica por aproximação de resultados ocorre uma conclusão oposta ao proposto pela lógica determinista do certo e errado.

Como a lógica por aproximação permite maior flexibilidade,  se duas pessoas se unem voluntariamente, é entendido que ocorreu constituição de uma família, independente do sexo ou poder aquisitivo. Mas esta conclusão é proveniente da uma analise por aproximação.

Observe o leitor que cada modelo de pensamento se propõe a resolver um problema específico.

No caso do modelo de algumas religiões como a católica, ele deve ser aplicado como regra de raciocínio em famílias tradicionais (homem+mulher+filhos) de classe média ou alta.

Se o modelo for aplicado neste caso específico o resultado das regras que determinam o raciocinio serão adequados para a realidade social destas pessoas. O modelo será eficiente, com bons resultados.

Se aplicarmos este mesmo modelo de raciocínio em uma família que não possui poder aquisitivo adequado, além de uma série de problemas sociais. Ao deixar de usar métodos que previnam a gestação, o problema social irá se agravar.

Neste caso, ao aplicar o modelo católico que proíbe evitar a gestação ele se mostrará ineficiente. O problema não será solucionado e talvez agravado.
Não é o modelo ou a religião que está errado e sim uma aplicação generalizada do modelo lógico.

Quando criticamos o modelo de algumas religiões, geralmente é devido ao fato de querermos impor uma lógica nossa. Não percebemos com clareza a proposta e modelo lógico da instituição.

Cada  modelo de raciocinio deve ser empregado apenas no problema específico que ele propõe solucionar.

Uma pessoa que não avalia e adapta seu modelo lógico corre o risco de virar escrava de seu próprio pensamento. Diminuindo assim sua capacidade de percepção e entendimento.

É importante que as pessoas possam usar e perceber diversos modelos de raciocínio, permitindo assim, a escolha de um modelo mais adequado para a resolução de um determinado problema.

Para que isso ocorra devemos ficar atento e perceber cada modelos de raciocínio e sua proposta.

O ato de interação entre pessoas e instituições sem uma compreensão adequada do modelo de raciocínio pode promover o desentendimento e críticas pouco fundamentadas.

Uma das características no processo de aprendizado é que ele consiste na percepção da logica que fundamenta uma determinada matéria ou comportamento.

Particularmente separo o processo de aprendizagem em uma relação de três características distintas.

1 – Sentimento (interferência do ambiente e das pessoas)
2 – Escolha do modelo lógico de percepção
3 – Análise e resultado

O sentimento é o primeiro e o mais complexo dos processos envolvidos no aprendizado, literalmente nós sentimos aquilo que aprendemos. É através do sentimento que bloqueamos nossa percepção das sutilezas sociais.

Conforme a intensidade dos nossos sentimentos, não conseguimos perceber as coisas que pairam nas entrelinhas e podemos acabar escolhendo o modelo inadequado de interpretação, gerando a dificuldade de aprendizado.

O processo de análise e resultado só terá eficiência se o modelo de percepção for aproximado da lógica usada na matéria ou evento que estamos estudando.

Observe que a nossa percepção depende diretamente de como nos sentimos e da técnica lógica que usamos para entender um determinado evento.

Faça um teste prático.

Pegue algum assunto polêmico e avalie a opinião contraria á sua e identifique qual o modelo lógico adotado pelo locutor oponente. Depois de identificado a lógica aplicada, procure verificar como você reage (sentimento) e as coisas ocultas por trás do modelo avaliado.

Você irá perceber que algumas pessoas ao tratarem de assuntos polêmicos demonstram claramente uma modificação de humor, ficando hora irritada, eufórica e assim por diante.

Estes sinais emocionais podem em alguns casos significar que o individuo está preso em uma única forma de avaliação e possivelmente não consegue identificar e aceitar outros modelos de raciocínio. Escravo do seu próprio pensamento ou cultura. Em outras palavra, bloqueado pelo seu modelo social.

Aprender pode ser definido como o ato de permitir-se sentir e experimentar novos modelos de aplicações lógicas.

Quando usamos uma ferramenta errada em uma manutenção, normalmente passamos mais trabalho e dificuldades para concluir nossa atividade. Cada modelo lógico equivale a uma ferramenta e o efeito é semelhante aquele encontrado quando usamos uma ferramenta errada para um determinado serviço. Em outras palavras, ao se apegar em um único modelo lógico o individuo corre o risco de passar trabalho ou sofrer dificuldades na aprendizagem.

Geralmente o aprendizado é facilitando quando nos perguntamos onde uma determinada afirmação funcionaria adequadamente e onde seria problemática. Impor um modelo de raciocínio próprio,  sem verificar sua eficiência, pode gerar conflitos e dificuldades no processo de aprendizado.
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