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O professor e a teoria dos sistemas

O pensamento sistêmico surge no século XX em contraposição ao pensamento mecanicista desenvolvido no século XVII tendo como seus principais representantes Descartes, Bacon e Newton.

O pensamento mecanicista também conhecido como cartesiano tem como técnica de atuação a divisão do todo em pequenas partes, neste sentido, cada parte isolada do seu contexto torna-se um objeto de estudo independente.

Na medicina cartesiana o médico preocupa-se apenas com a parte doente e ignora a complexidade subjetiva do paciente, na agricultura a perspectiva mecanicista direciona o agricultor para o cultivo de apenas um produto por área de plantio ignorando o eco sistema. Na educação o pensamento mecanicista fomentou o surgimento de teorias comportamentalistas entre elas encontramos a proposta de Skinner.

Uma das características da teoria mecanicista consiste na postura de exploração e domínio da natureza, uma espécie de imposição do homem para com os eventos, em outras palavras, uma tentativa do homem de manipular conforme sua vontade todo e qualquer fenômeno.

Embora a teoria mecanicista seja eficiente para o mapeamento e domínio de certos eventos ela carece de eficiência e equilíbrio quando lidamos com sistemas complexos como efetuar uma previsão do tempo, entender o comportamento humano ou prever a reação diante de certo desequilíbrio como poluição, doenças, etc. Em resumo, nas ocasiões onde o número de elementos envolvidos é relativamente grande e com isso complexo, a teoria cartesiana não consegue proporcionar um resultado satisfatório ou equilibrado.

No século XX com a evolução do conhecimento os estudiosos foram percebendo a fragilidade do pensamento mecanicista e aos poucos estão migrando sua postura, antes dominadora, agora assume tarefa integradora. Quando o assunto é integração o pensamento mecanicista não atende ao objetivo e surge uma nova proposta conhecida como pensamento sistêmico.

É importante observar que não se trata de abandonar o pensamento mecanicista, este é eficiente para certas tarefas, no entanto, a complexidade atingida pelo homem proporcionou percepções que exigem novas técnicas.

É aqui que ocorrem diversos problemas, uma vez que, nossa sociedade em sua maioria ainda é formada pelo pensamento mecanicista e este determina a percepção de mundo da maioria dos alunos, pais e professores.

Integrar é somar e não dividir, esta afirmação pode parecer obvia, mas ao olhar para as reações sociais veremos que ainda estamos dividindo em muitas ocasiões por influencia da nossa herança mecanicista, somar é sistêmico, é integrar.

Basta pesquisar na internet para encontrar pessoas discutindo muitas vezes de forma ofensiva, sobre qual técnica é mais eficiente para este ou aquele evento. A ideia de exclusão, em geral, está relacionada com o pensamento mecanicista, eleger uma técnica como a melhor e descartar ou inferiorizar as outras é pensar de forma determinística, dominadora, mecanicista.

Novas regras educacionais estão surgindo numa tentativa de fomentar o comportamento e o pensamento sistêmico, este é um dos motivos que elevam o conceito de inclusão ao topo das prioridades sociais em diversos países. A teoria por traz do fenômeno da inclusão é a teoria sistêmica.

Uma forma sistêmica de raciocínio é considerar todos os aspectos envolvidos em um determinado evento, em outras palavras, pensar de forma sistêmica é contextualizar, incluir no contexto. Como é o caso da perspectiva antropológica onde o humano é entendido como sendo uma construção do seu meio social, esta antropologia histórico social coloca o humano no contexto das relações sociais.  Outra perspectiva que aponta para a teoria dos sistemas é a epistemologia genética de Piaget.

Um exemplo de pensamento sistêmico pode ser encontrado na mudança da percepção de doença proposta por Winnicott, onde a doença é incluída no contexto da vida como algo natural e o conceito de saudável é atribuído a toda pessoa que possui forças para enfrentar seus problemas. Note que a doença anteriormente negada e excluída agora é incluída e pensada como parte do todo, do sistema.

O maior desafio na educação parece estar associado ao fato da complexidade social evoluir em uma taxa maior que a capacidade de adequação dos sistemas de ensino.

Esta relação entre complexidade social e educação parece promover grande confusão entre os educadores ofuscando a percepção de pais e professores.

Neste sentido, uma teoria que vai ao encontro do pensamento sistêmico foi desenvolvida pelo biólogo Richard Dawkins e parece proporcionar um melhor esclarecimento sobre o funcionamento das influências no processo social, denominado de Meme ou ciência memética, esta teoria aponta para o desenvolvimento de ideias problemáticas que promovem um funcionamento equivocado da percepção, distorcendo valores e proporcionando a manipulação do comportamento humano – equívocos do raciocínio.

Educar para prática do raciocínio sistêmico parece ser uma atividade em crescimento onde o desafio consiste em adequar esta nova percepção de mundo aos conteúdos ministrados no cotidiano da sala de aula.

Bibliografia:
ARANHA, Maria Lucia de Arruda. Filosofia da educação. ed. São Paulo. Moderna, 2006. [+] Consultar editora
CARRAHER, David William. Senso Crítico: Do dia-a-dia as Ciências Humanas. ed. São Paulo, Pioneira Thomson, 2008. [+] Consultar editora
MORAES, Maria Candida. Pensamento Eco-Sistemico: Educação, Aprendizagem E Cidadania No Sec. XXI. ed. Petrópolis-RJ. Vozes, 2004. [+] Concultar editora
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