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Tecnologia como ferramenta de exclusão social

Tenho a sensação que nossa evolução tecnológica vem ocorrendo muito rápido em comparação com nossa capacidade social de adaptação.

Lembro de conhecer um campus universitário com um estacionamento que tinha as vias de acesso monitoradas por atendentes e acabou substituindo estes funcionários por máquinas com cartões de acesso. Foram mais de 120 demissões.

Fico pensando no tempo que estas e tantas outras pessoas vão levar para se adaptarem com esta nova realidade e como vão lidar com o fato da necessidade de capacitação tecnológica.

Alguns meses acompanhei superficialmente um processo seletivo para secretárias em um posto de saúde que fica em uma região carente. O programa social do município onde estávamos prestando consultoria abriu estas vagas para jovens moradores próximo ao posto de saúde, no intuito de favorecer a renda na região e também manter uma secretária/atendente conhecida da população local.

O número de inscritos foi muito grande, mas apenas 1% dos entrevistados tinha a mínima noção de manuseio do computador, pré-requisito para função pretendida. Nestes casos a falta de acesso ao ambiente tecnológico pode produzir dificuldade de colocação no mercado de trabalho.

Já o caso das demissões em massa por substituição de tecnologia, não sei muito bem como equacionar esta questão. Fico com a impressão de existir um abismo entre o desenvolvimento social e a tecnologia, parece que não estamos usando as máquinas considerando os efeitos sociais. Mas isso pode ser apenas um impressão equivocada de minha parte.

Fiquei surpreso com o número de demissões que certas tecnologias promovem e o tempo necessário para estas pessoas se integrarem no mercado de trabalho. Pelo pouco que acompanhei, ficou claro que a velocidade de adaptação depende do poder aquisitivo de cada pessoa.

Nem todos conseguem investir tempo e dinheiro em cursos de formação tecnológica, em outros casos o problema vem da baixa escolaridade e o tempo de um curso se transforma na necessidade de concluir  a escolaridade básica para que seja possível entender a lógica por traz da tecnologia.

Parece que a evolução tecnológica, não sendo adequadamente administrada poderá se tornar para algumas pessoas uma ferramenta de exclusão social. Por isso acredito na importância de soluções como as do colega José Mendonça que criou o Telecentro Trajetória Mundial, oferecendo cursos de informática básica e montagem de microcomputadores em comunidades carentes do Recife-PE. Também tem o Grupo de Economia Popular do colega Eloísio Porto Santiago na Bahia, que segue a mesma linha de atividades.

Tenha a impressão que problema não é a tecnologia e sim como as pessoas e empresários gerenciam esta.

Na semana passada estava conversando com alguns amigos e surgiu a questão dos aparelhos chineses e os problemas que estes causam para a economia formal. Parece que esta economia irregular consegue ainda que precariamente fornecer acesso ao ambiente tecnológico para pessoas de baixa renda, promovendo um tipo de inclusão. O problema da inclusão é polêmico, principalmente por via informal.

Talvez para sociedades tecnológicas o melhor conselho seja aquele atribuído ao pesquisador Charles Darwin, "Os mais aptos sobrevivem" em outras palavras, inclusão digital para todos.
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