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Cientistas condenados ao errar previsão de terremoto

Segundo a BBC seis cientistas e o ex-vice-presidente do departamento técnico da Agência de Proteção Civil italiana foram condenados a seis anos de prisão depois que erroneamente asseguraram que havia uma remota possibilidade de um desastre.


A decisão é polemica e o argumento da promotoria italiana se baseia no fato da previsão ter tranqüilizado autoridades e população fazendo com que não ocorresse uma preparação para receber á catástrofe. Neste caso os envolvidos foram responsabilizados pela morte de 300 pessoas sendo condenados em outubro de 2012 por homicídio múltiplo com seis anos de prisão.

Na Itália em 2009, muitos tremores menores vinham sacudindo a região e uma junta de seis cientistas foi constituída e consultada sobre a possibilidade de um terremoto em maior escalar. O laudo emitido pelos especialistas foi categórico ao afirmar que as chances de ocorrer o tal terremoto seriam pequenas.



O terremoto ocorreu em uma magnitude de 6,3 e vitimou fatalmente 300 pessoas.

A polemica é que não existe uma forma garantida de prever terremotos e ao afirmarem que existia uma pequena chance de ocorrer o evento os cientistas não negaram a possibilidade da catástrofe.

Na opinião da promotoria os réus deram uma declaração falsamente tranquilizadora. A defesa alega que o governo sabia da impossibilidade precisa de uma previsão sobre terremotos.

Mais de 5.000 cientistas assinaram uma carta aberta ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, em apoio ao grupo no banco dos réus.

A justiça italiana entendeu que as pessoas que habitualmente fugiam da região em ocorrências semelhantes, decidiram ficar na cidade tranquilizadas pela declaração oficial da junta de cientistas.

Ao que parece, a declaração oficial não alertava sobre a impossibilidade da previsão do terremoto fazendo-se falsamente legitima e tranqüilizadora ao não informar a fragilidade das afirmações cientificas. Se os cientistas sabiam da impossibilidade da previsão, então emitiram uma declaração falsa ao assumir uma postura oficialmente tranqüilizadora.

Este é um problema global de difícil solução. Quais os mecanismos adequados para cobrar responsabilidade sobre os anúncios dos cientistas.  Atualmente existem pesquisas de caráter publicitário que buscam ditar tendências de consumo, erros de diagnósticos, fraudes científicas e assim por diante.

Os cientistas entendem que estes casos devem ser regulados por outros cientistas através de bancas examinadoras. A promotoria entende que os cientistas devem responder judicialmente por suas ações.

Os promotores acusaram os cientistas de assumirem uma postura irresponsável. No banco dos réus parece que sob julgamento está a postura e não o resultado científico.

Alguns cientistas alertam que este julgamento pode criar um precedente prejudicial ao exercício cientifico, impedindo especialistas de compartilhar seus conhecimentos com o público por medo de serem alvo de ações judiciais.

Malcolm Sperrin, diretor de física médica no Hospital Royal do Reino Unido entende que "Se a comunidade científica está sendo penalizada por fazer previsões que acabam por ser incorreta, ou por não prever com precisão um evento que ocorre posteriormente, em seguida, esforços científicos serão restritos as únicas certezas e os benefícios que estão associados com as descobertas da medicina para Física serão paralisados.".

A questão polemica é se os cientistas devem ser responsabilizados por suas ações ou se a profissão implica em certas complexidades que isentam tais pesquisadores de possíveis consequencias.

Fonte: BBC

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