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O mistério da fé e as relações sociais no efeito Placebo

No século 18, o médico alemão Franz Mesmer peddled lançou um conceito chamado magnetismo animal. Criaturas contem um fluido universal que quando bloqueado seu fluxo ocasiona uma doença.


Convicto deste fenômeno o Dr. Mesmer usou objetos magnetizados para redirecionar esse fluxo magnético dos pacientes, iniciando sensações corporais incomuns, desmaios, vômitos ou convulsões violentas que terminaram em resultados curativos.

Céticos sobre esta possibilidade Benjamin Franklin que pesquisava sobre eletricidade e o químico francês Antoine-Laurent Lavoisier criaram um experimento onde pessoas foram convidadas para participarem do tratamento magnético.  Os participantes apresentaram as mesmas sensações corporais incomuns, desmaios, vômitos ou convulsões violentas e resultados positivos de melhoras. No entanto, o experimento não possuía de fato alguma forma de magnetização e o tratamento nada mais era que apenas uma encenação dos pesquisadores.

Desde então o mistério ainda não foi resolvido e a ciência se debate com a pergunta sobre o que poderia estar provocando melhora em alguns pacientes se estes apenas pensavam estar recebendo algum tratamento. Este fenômeno foi chamado de efeito Placebo.

Na atualidade pesquisas diversas já contabilizaram uma grande variedade de dados ao redor do mundo, injeções de água, pílulas de açúcar e diversos outros tratamento sem o real uso de medicamentos produziram resultados positivos pautados na crença do paciente em relação ao suposto medicamento.

Em tribos indígenas é comum entender o adoecimento como um problema de desequilíbrio natural onde o curandeiro com alguns rituais coloca o corpo novamente no caminho do equilíbrio com a natureza. Na medicina chinesa, budismo e em diversas religiões a crença parece oferecer alguma influencia na saúde das pessoas, em geral, nas religiões a fé é percebida como uma espécie de força vital.

O filósofo e teólogo dinamarquês Kierkegaard em alguns de seus trabalhos argumentou sobre as emoções e sentimentos dos indivíduos que confrontados com as escolhas que a vida oferece são acometidos por angustias e sensações que viabilizam sofrimentos.  Para Kierkegaard a certeza contida na fé foi entendida como um caminho saudável frente ao sofrimento psicológico.

Na ciência o resultado positivo de um tratamento placebo é associado a um estado de sofrimento psicológico também conhecido como doença psicossomática e nestes casos um distúrbio psicológico produz sensações físicas que causam problemas de saúde.

O que foi observado pelos cientistas é que a fé em um comprimido de açúcar, injeção de água, nos curandeiros ou em uma divindade, parece produzir o mesmo efeito saudável em algumas pessoas cujo problema é de caráter psicossomático.

Embora filosofia, ciência e religião discordem em muitos aspectos. Cada uma destas áreas, ao seu modo, concorda que a percepção de mundo, crenças e valores que adotamos auxilia na definição da nossa saúde.

Entendendo o efeito placebo como uma ocorrência pautada na relação do individuo diante de um determinado evento, é plausível admitir que os mecanismos que implicam no fenômeno placebo também podem ser observados nas relações sociais onde a profundidade e qualidade das relações que construímos com as outras pessoas promovem satisfações capazes de prevenir ou evitar certos sofrimentos, ou ainda, facilitar o resultado em terapias e atividades que envolvem aprendizados. Nas ciências humanas existe o consenso que a qualidade do vínculo entre os participantes facilita resultados.

A busca da ciência pela explicação sobre o mistério do efeito placebo tem como pano de fundo a pergunta sobre como nos relacionamos com as coisas, fenômenos e pessoas, sugerindo que boa parte de nossa saúde parece depender da forma como construímos nossas relações com o mundo, em especial, com as outras pessoas.

O efeito placebo esta presente em outros animais além do humano e um estudo recente conduzido pelo biólogo Peter Trimmer identificou uma espécie de interruptor presente no sistema imunológico que é controlado pela mente.  Neste sentido, sobre determinadas sensações o cérebro pode controlar e disparar um maior ou menor efeito imunológico sobre o corpo.

Trimmer explica que "Hoje, quando os médicos oferecem um remédio, não estão preocupados apenas em curar a doença, mas com o ambiente em que a pessoa está inserida".

Se você esta pensando em melhorar sua saúde pode ser interessante verificar como você está se relacionando com o mundo, a qualidade de suas relações sociais e como promover maior bem estar coletivo. Afinal, a qualidade das relações e do ambiente em que você vive pode refletir diretamente no seu sistema imunológico. Boa saúde!
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